18 de novembro de 2014

Diários de Escrita, por André Santos, 12º D
Porque é que a matemática não é como a chuva? Sim, como a chuva que cai e ninguém se preocupa com a sua contagem, pois preocupações serão os efeitos dessa na vida das pessoas. Maioritariamente, colocamos números ou resultados à frente do aspeto social ou humano. Efetivamente, na sociedade atual, somos apenas números e, se os nossos resultados não corresponderem a esses números, somos riscados como se num caderno estivéssemos. Não somos um número, porque um número é um resultado final e uma pessoa não se define em apenas um resultado…mas numa vida cheia de resultados.
Porque é que a matemática não é como a chuva? A chuva apenas nos afeta com mais intensidade no inverno, os números chateiam-nos uma vida. Quero com isto dizer que o céu, embora por vezes exagere na quantidade, não nos sobrecarrega uma vida inteira. Agora os números, esses sim, não nos largam. Quanto custa isto? Que idade tens? Que nota tiveste no teste? Números para aqui, números para ali. Somar, subtrair, dividir, multiplicar…Chega!
Oh, chuva! Porque é que a matemática não é como tu? Porque tu és obra da natureza e a matemática é obra dos homens. Os homens tendem a exagerar, prejudicando até a Mãe (natureza) que lhes deu vida. Qual racionalidade humana? O homem, devido à razão que possui, devia ser culpabilizado pelos seus atos, mas, infelizmente, são os inocentes animais que padecem.
Assim, como ferramenta de ajuda para identificar ou calcular o número de pessoas ou mesmo animais que todos os dias sofrem por causa das contas precipitadas dos homens, eu sou a favor do estudo da matemática. Devemos usar números para que se possa retratar realidades, mas nunca para originar novas realidades de exclusão social. Basta de colocar os números à frente das pessoas!
CONCURSO NACIONAL DE LEITURA | 9ª EDIÇÃO | 2014/2015

Com o objetivo de estimular o treino da leitura e desenvolver competências de expressão escrita e oral, o Plano Nacional de Leitura dá, em 20 de Outubro de 2014, início à 9ª Edição do Concurso Nacional de Leitura (CNL).
São parceiros desta iniciativa a Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), a Rede das Bibliotecas Escolares (RBE), o Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, IP) e a RTP.
A participação no concurso está aberta a todos os alunos dos 3º Ciclo e Ensino Secundário.
Inscreve-te na biblioteca ou junto do teu professor de Português.
A 1ª fase terá lugar a 09 de janeiro de 2015.

Obras selecionadas: 
3º ciclo:
A Lua de Joana  de Maria Teresa Maia Gonzalez
O Rapaz de Pijama às Riscas de John Doyne
Secundário:
Cão como Nós de Manuel Alegre
                                                             A Relíquia de Eça de Queiroz

12 de novembro de 2014

São Martinho, castanhas sem vinho...
Foi com grande entusiasmo que os idosos do Centro de Dia de Barcelinhos participaram na tradicional festa de São Martinho, organizada pela BEAF. Entre castanhas, bolinhos e chá, os alunos do 12º A envolveram os nossos convidados em jogos, adivinhas, provérbios e poesia alusiva à efeméride.
No dia de São Martinho
com carinho nos visitaram
Sentimos-nos muito felizes
pelo que nos ensinaram!
12º A

28 de outubro de 2014

Oficina de Escrita



















“Antes do interesse pela escrita, há um outro: o interesse pela leitura.” E as duas caminham a par.
Fazendo jus à citação de Saramago, os alunos do 7º C, deliciados com a leitura de vários textos, feita pelos alunos do 12º C/D e coordenados pela Professor Ana Reis, tiveram o privilégio de poder escolher as cores com que coloriram a página em branco, dando corpo às suas ideias e, assim, novos desenlaces de uma história de Clarice Lispector surgiram para alegrar o coração da protagonista do texto.











O Lugar da Poesia, por Cláudia Fernandes, 12º A









Hoje, porque preciso disto,
não por outro motivo qualquer…
Preciso de revolta enquanto mulher
e dos sonhos de que hoje desisto!

Não me peçam aquilo em que persisto
esgotada, cansada, o que a vida quiser…
Hoje sinto-me incapaz, malmequer
choroso de meu fado vivendo nisto.

Hoje cansada do que sempre estive:
do mundo, do homem, de ignorância,
de quem não cumpre e fala de esperança!

Agora, a vida é um sonho que se vive…
Poupem-me a hipocrisias e falsas verdades.
Deem-me apenas verdades capazes.


Diários de Escrita por, Luís André, Maria de Fátima, Rui Martins , 12º A

Diários de Escrita, por Luís André, Maria de Fátima e Rui Martins, 12º A

"A poesia de Fernando Pessoa ortónimo"

A poesia de Fernando Pessoa ortónimo reflete, em muito, o seu atribulado percurso de vida. No entanto, o poeta não reproduz imediatamente nos poemas aquilo que sente, mas escreve-os com base numa construção mental.
O poema “Autopsicografia” é um autorretrato espiritual do poeta que descreve o ato de criação poética, afirmando que se trata de um processo de fingimento, por outras palavras, fingir é “fazer um desvio pela inteligência”. O poeta desenvolve, assim, uma oposição “pensar-sentir”.
Ainda assim, a procura constante de racionalidade por parte do ortónimo acaba por o conduzir a uma situação extrema que desperta neste o desejo da inconsciência explorado nos poemas “Ela canta, pobre ceifeira” e “Gato que brincas na rua”.
Desta forma, não encontrando a felicidade nas coisas do dia a dia, devido ao exercício do pensamento, recorre à memória, recuando à infância. Esta infância é, em geral, desprovida de experiência biográfica e é resultado de um processo de intelectualização (“E toda aquela infância/Que não tive me vem”). Na infância, Pessoa encontra a verdadeira felicidade, inconsciente e recheada de emoções que ele não sente.
Concluindo, insatisfeito com o presente e incapaz de o viver de forma plena devido ao constante processo de autoanálise que causa dúvidas e indefinição relativamente à sua identidade, torna-se incapaz de viver a vida, mergulhando num tédio existencial que não consegue ultrapassar. Sentindo-se inútil, parte à descoberta do sonho, do “longínquo”, o único local onde pode ser realmente feliz já que, na realidade, isso não é possível, tal como descrito no seu poema “Às vezes, em sonho triste”.
Deste modo, em Pessoa tudo é inteligência e todo o texto é produto da imaginação. No momento de escrita, o poeta finge sentimentos, emoções, não deixando, no entanto, de haver verdade, só que essa verdade, essa sinceridade é artisticamente trabalhada.

Pensamento do mês - setembro