23 de junho de 2013

 “A Metamorfose” de Franz Kafka apresenta-nos a história de Gregor Samsa, que se transforma em inseto da noite para o dia, condição que o põe em vigília e constante incomunicação. “Quando Gregor Samsa despertou uma manhã depois de um sono intranquilo, encontrou-se sobre a sua cama convertido num monstruoso inseto.” Esta é a primeira frase deste livro e é uma das mais conhecidas no mundo da literatura. Gregor acorda e vê-se transformado num inseto. Assim, não se consegue levantar, o que era preocupante, pois estava atrasado para o seu emprego de caixeiro-viajante, com cujo ordenado sustentava a sua família depois do negócio de seu pai abrir falência. Por mais tentativas que fizesse para se levantar, não conseguia, e o atraso já era de horas. Como tal, o gerente foi em pessoa averiguar a razão do atraso. Depois de resolvida a dificuldade de se levantar e deslocar, Gregor depara-se com outra dificuldade, a de destrancar a porta, dificuldade esta ultrapassada com muita dor e esforço. Ao verem Gregor, estes, já antes alarmados pelo som de animal, ficam exaltadíssimos. Incrédulo, o gerente foge. Com o auxílio de uma bengala e um jornal, e perante o choro da mãe, é enxotado pelo pai de volta para o quarto. Nesta altura, Gregor descobre que, embora andasse muito bem para a frente, às arrecuas era muito lento. Ao entrar, finalmente, no quarto fica entalado na porta e o pai dá-lhe um golpe por trás com a bengala, fazendo-o aterrar a meio do quarto e com outro golpe com a bengala fecha a porta. Só por esta parte do resumo se percebe a frieza e indiferença dos humanos perante Gregor, que ainda se sentia humano, semelhante ao grande mal de que padece a humanidade. A irmã encarrega-se de o alimentar. Primeiro leva-lhe uma tigela com leite açucarado, mas isso não agrada a Gregor, apesar de este ter sido, outrora, o seu alimento preferido. Então leva-lhe num jornal vários tipos de comida. As de que Gregor menos gostava, são agora as que curiosamente, alimentos alterados (um queijo capaz de assustar qualquer nariz, por exemplo). Ela e a mãe passam a tratar da cozinha, a empregada despediu-se, com grande alívio, depois de ver Gregor. Só a irmã é que se encarrega do quarto, mas fá-lo incomodada. Depois de algum tempo, a mãe quer ver o filho, mas o pai e a irmã não deixam. Quando finalmente o consegue, apanha um choque, tal como a irmã, quando um dia entra mais cedo e encontra o irmão à janela. Para poupar a sua irmã, arrasta um lençol para o cadeirão onde dorme e sempre que ela lá vai, ele cobre-se todo, gesto que aliviou a irmã. Gregor passa a escutar, analisar e observar tudo à sua volta. Para passar o tempo, começa a caminhar em todas as direções, incluindo para o teto. A irmã repara neste novo passatempo e retira os móveis do quarto para que ele se possa deslocar mais à vontade. Entretanto, a sua família começa a trabalhar e a ganhar o seu próprio sustento. Assim, Gregor começa a ser desprezado ainda mais: Jã nem a irmã vai ao seu quarto com tanta frequência nem repara no que ele come, que é cada vez menos. Ele tornou-se num fardo. Para ganhar dinheiro, alugam a casa a três homens, e mudam drasticamente a sua vida doméstica Já outra empregada fora contratada, e queria ver-se livre do inseto. Um dia, a irmã tocou violino e o irmão aproximou-se. Quando deram por ele, o pai atirou-lhe com maçãs e uma delas ficou-lhe presa no dorso, magoando-o. Os hóspedes vão embora furiosos por viverem no mesmo local que um verme. Gregor acaba por morrer, sozinho, desprezado e incompreendido, no seu quarto, após mais este gesto de desprezo, o que é um alívio para a família, pois finalmente vê-se livre dele.
 Não será isto o que acontece na nossa sociedade? Não será esta obra um alerta para a nossa forma de ver as coisas e de nos relacionarmos com os outros?
 Penso que vale a pena pensar nisto.

13 de junho de 2013

No âmbito da atividade GEÓGRAFO DO ANO 2012/2013, levada a cabo pelo subdepartamento de Geografia, foram entregues os diplomas e respetivos prémios no dia 12 de Junho na Biblioteca escolar. Os alunos vencedores foram Tatiana Barbosa do 7º Ano turma A, Tiago Filipe Sá do 8º Ano turma C e Marisa Cristina Loureiro do 9º Ano turma B.
Na mesma cerimónia, a Biblioteca entregou os diplomas, enviados pela Câmara Municipal de Barcelos, aos alunos participantes no concurso concelhio "Pequenos Grandes Poetas", realizado pela Biblioteca Municipal.
E porque consideramos que o Mérito e Empenho devem ser reconhecidos, deixamos aqui o registo como agradecimento aos nossos alunos distinguidos.

7 de junho de 2013

Os  "leitores do mês" 2012-2013
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A BE procede mensalmente à análise estatística das requisições domiciliárias, elegendo, deste modo, o leitor do mês. Este concurso que visa promover hábitos e competências de leitura e desenvolver a literacia nos nossos jovens, com vista à formação de cidadãos atentos e críticos - condição indispensável para o exercício da cidadania - contou com a colaboração de 8 alunos que receberam um prémio em livros oferecidos pela escola. A entrega dos prémios contou com a presença do Diretor da escola, da Bibliotecária e dos respetivos Diretores de Turma numa singela cerimónia que pretendeu homenagear todos os que valorizam e investem na leitura. A todos os alunos que, desinteressadamente, colaboram nesta atividade o nosso obrigada e desejo de que continuem a cultivar o sublime gosto pela leitura. Tal como dizia o grande filósofo, orador, escritor, advogado e político romano, Cícero: "Os livros são o alimento da juventude." É esse alimento que julgamos ser nosso dever continuar a fornecer e a estimular."
Pensamento do mês de junho

27 de maio de 2013

Diários de escrita, por Carolina Gonçalves
 Como li os livros: Lolita, 1984, Livro, A Metamorfose, Retrato do Artista Quando Jovem.

 De todos os tipos de texto, o resumo é o que mais detesto escrever ou ler. É útil, sim, mas absolutamente desinteressante. Não tem a essência, alma ou arte; não passa de palavras frias e sistematizadas. No entanto, se mo pedem, eu escrevo-o sem objeções. Ou melhor, escreveria, se não se levantasse outra questão: eu requisitei cinco livros diferentes e não consigo escolher qual deles para a tarefa em mãos. Li-os a todos com o fervor e curiosidade que sempre me acompanharam na leitura e posso recontá-los facilmente. Lolita é o relato arrepiante e perturbador (felizmente, fictício) de um pedófilo que destrói a vida de uma pobre rapariga que morre no final. 1984 fala de uma terrível ditadura que é mais assustadora hoje em dia do que quando o livro foi publicado, uma vez que agora temos a tecnologia para a tornar real. Livro foi-me recomendado por uma colega que participou no PNL, e mais do que excedeu as espectativas, tanto no relato da emigração portuguesa como no toquezinho de pós-modernismo. A Metamorfose é um crítica interessante e que ambiguamente deixa em aberto se o protagonista de transformou realmente num inseto ou se tem alguma doença mental, mas entrando em declínio psicológico até à morte. Por fim, o Retrato do Artista Quando Jovem narra os conflitos internos do jovem Stephen Dedalus e a sua tentativa de libertação da influência do ambiente que o rodeia. Se é um resumo que me pedem, cada uma destas linhas seria suficientes para a respetiva obra. Todavia, não provam que eu li, de facto, qualquer um destes livros, o que eu suponho que seja uma das razões, ou talvez a única, porque me foi pedido este resumo. Eu poderia dizer que Lolita foi, quase de certeza, o único livro que li em que eu detestava todas as personagens. Ou que 1984 mexeu bastante comigo ao desenhar uma sociedade que oprime até o próprio pensamento. Em Livro atraiu-me que fosse tão consciente de si mesmo ao ponto de ser confuso, mas desagradou-me que eu conseguisse prever parte do enredo. Quanto a A Metamorfose, Gregor tinha uma família de sanguessugas que o abandonou à primeira dificuldade, e era triste vê-lo tão preocupado com eles enquanto eles o desprezavam tão horrivelmente. Já o Retrato do Artista Quando Jovem mostrou-se uma interessante janela para a vida do próprio autor, além de me levar a questionar quais os verdadeiros efeitos que a sociedade em que me insiro tem sobre mim. Não há muito mais a dizer. Como com qualquer outra obra de arte, não há descrição possível para um livro, pelo menos não uma que reflita verdadeiramente a sua natureza. Por mais irónico que seja, não há palavras que descrevam a experiência extraordinária da leitura. Tentar fazê-lo é, obrigatoriamente, deixar o serviço pela metade, uma mera sombra da realidade. E, para fazer um trabalho mal-feito, nem vale a pena começar. Ficam, então, aqui, as minhas humildes palavras sobre os livros que me acompanharam ao longo do mês de Abril. Se não vou mais longe, é porque resumo nenhum se aproxima da própria leitura; se não faço melhor, é porque me falta o talento e a arte. 

24 de maio de 2013

Conferência
 BARCELOS – 900 anos de História com o P.e António Júlio Trigueiros, sj


No dia em que foi lançado, no auditório da CMB, o 1º de 13 volumes, do maior historiador barcelense, Dr. António Miguel Almeida Ferraz, “Apontamentos para a História de Barcelos”, convidamos o Pe. António Júlio Trigueiros, responsável pela leitura, introdução e notas da obra deste ilustre barcelinense . Além desta excelente obra, o P.e António Júlio Trigueiros também é autor de várias publicações sobre Barcelos e o seu concelho, das quais salientamos: A Heráldica e a Genealogia no Concelho de Barcelos, 1984 e 1985 Barcelos Histórico Monumental e Artístico, 1998 A Casa do Menino Deus: da Escrava Victória às Franciscanas Missionárias de Maria, (em co-autoria com Maria Celeste Lúcio), Barcelos, 2012.
Com a biblioteca lotada de alunos e professores, assistimos a uma sábia e descontraída lição de história de Barcelos, acompanhada por interessantes slides, ilustrativos do grandioso património arquitetónico e artístico da nossa terra. Desta sessão ficou acentuado o orgulho, o dever e a responsabilidade que todos devemos ter na defesa e preservação deste vasto e rico património.

Encontro com...
José Trigueiros é um jovem escritor e cineasta barcelense com quem estivemos à conversa no dia 23 de maio. 
 Fez os seus estudos em Coimbra e Barcelona onde desenvolveu a sua tese de mestrado com a curta-metragem “Dios por en Cuello”, que lhe valeu a representação no SALÓN INTERNACIONAL DE LA LUZ, Bogotá, Colômbia e na BEYOND BORDERS – DIVERSITY IN CANNES, Cannes Film Festival, França. Os seus interesses estão também na área da escrita onde foi vencedor, três vezes consecutivas, do PRÉMIO NACIONAL JOVENS CRIADORES organizado pelo Clube Português de Artes e Ideias (CPAI), pelo Instituto da Juventude Português (IPJ) e pelo Ministério de Juventude e dos Desportos Português. 
 De trato afável e descontraído, falou no seu percurso de muito trabalho, persistência e determinação  incentivando a plateia a ler muito e a seguir os seus sonhos sem medo. 
Durante a conversa foi lido o conto “Quando os meus olhos eram pequenos”, pelos alunos Luísa Moreira e José Lopes e projetado um outro, dito pelo ator Miguel Guilherme no programa de televisão “História Devida”. Obrigada José Trigueiros pelo testemunho de vida e pela mensagem de coragem deixada aos nossos alunos!

Pensamento do mês - setembro