Para além das castanhas assadas, bolo de castanhas
e chá, os alunos do 11º F e a Rosário, aluna do 12º D, todos da escola de
Barcelinhos, iluminaram os rostos dos utentes do Centro Social Abel Varzim com
atividades lúdicas. Os idosos deram asas à imaginação, completando provérbios recuperados
da partilha de experiências colhidas ao longo do tempo, comungadas da mesma sabedoria
popular. A isto, associaram as suas vozes, a sua emoção, somada à nossa.
16 de novembro de 2012
Diários de escrita, por Carolina Gonçalves, 12º B
Time And Relative
Dimension In Space
Quando eu estava no 1º ciclo, era
frequente escrevermos redações sobre o tema do texto que tinha introduzido a
matéria. Escrevi imensas composições dessas. Talvez dezenas. Mas recordo-me somente
de uma. Era sobre viagens ao futuro.
Nunca me saiu da cabeça. Esteve
sempre na sombra, escondida nos recantos das minhas memórias, mas estava
presente. Nunca a poderia esquecer. Como poderia? Era a minha preferida. A
minha obra de arte.
Durante algum tempo, pensei que
era a minha mensagem sobre ambientalismo. E achei que era por isso que gostava
tanto dela. A professora tinha-nos pedido para escrever sobre uma viagem no
tempo, e eu imaginei uma viagem ao futuro em que a protagonista se deparava com
um mundo extremamente poluído, dominado por robôs e em que a Humanidade estava
perdida (sempre fui um poço de otimismo, no entanto, hoje em dia, acho que o
futuro vai ser pouco diferente, apenas sem os robôs, que não temos tempo de
desenvolver tecnologia tão avançada).
Alguns anos volvidos, eu sei que não
era a lição sobre proteger o ambiente que me ligava tanto a esta história. Era
a ideia de viagem no tempo.
E a razão pela qual a viagem no
tempo me fascina tanto é a de que eu não consigo verdadeiramente compreender o
que é o tempo. Apenas sei que este pura e simplesmente é, que forma uma íntima
dualidade com o espaço e que tem tantos e tão complexos paradoxos que já
fizeram muitos cérebros dar o nó. Incluindo o meu, como é claro.
O que me levou a fazer algumas
perguntas. O tempo é linear? (Tendemos a pensar assim, mas parece-me uma visão
demasiado simplista.) É possível viajar no tempo? (Não faço ideia, mas espero mesmo
que sim. É um dos meus sonhos de infância.) E esta conduz a várias outras
perguntas: se viajar no tempo é possível, porquê que ainda não vimos ninguém do
futuro? Ou então, podemos mudar o passado? Oh, mais uma das difíceis.
Há várias respostas. Se eu for ao
passado para mudar alguma coisa e for bem-sucedida, deixo de ter razões para
mudar o passado, pelo que não viajo no tempo, e assim o passado não muda e
volto à situação original e viajo no tempo para mudar o que aconteceu e por aí
fora num ciclo interminável. Eu poderia até impedir o meu próprio nascimento,
levando a uma situação semelhante. Outro cenário é o de que eu vou atrás no
tempo e acabo por ser eu a causar os acontecimentos que já se tinham passado e,
nesse caso, é impossível mudar a História.
E quanto ao futuro? (Bem, o
passado não é já complicado que chegue?) Se eu souber o futuro, este ainda vai
ser o mesmo? Ou as coisas só acontecem porque eu sei que sim? Ou nenhuma das
duas?
Ninguém sabe as respostas a estas
perguntas. Desconfio que no dia em que alguém conseguir perceber o que é e como
funciona o tempo, fica provada a (in)existência de Deus e explicado o universo,
pelo que este implode por falta de mistérios.
Procurando impedir esse colapso
da existência (assumindo que não fazemos parte de um multiverso), eu vou recuar
no tempo e impedir-me de escrever isto (não vá alguém começar a pensar no
assunto, ter uma epifania e encontrar as respostas). Talvez possa aproveitar
melhor este tempo para ver the Doctor
e a sua caixinha azul.
13 de novembro de 2012
Dia Internacional da Filosofia na BE
O " Dia internacional da Filosofia comemora-se, este ano, a 15 de novembro, por razões de agenda a biblioteca vai associar-se à evocação deste dia a 21 deste mês".
12 de novembro de 2012
kapa'on'school: Oficina de Rádio
A rádio kapa vai levar a cabo a sua oficina de rádio na nossa escola. Pede ao teu professor para inscrever a tua turma.
Mais informações em http://radiokapa.pt/onschool.
Mais informações em http://radiokapa.pt/onschool.
8 de novembro de 2012
Em novembro, a BE sugere
O protagonista do primeiro livro infantil de José Luís Peixoto é filho da
chuva. Com uma mãe tão original, tão necessária a todos, tem de aprender a
partilhar com o mundo aquilo que lhe é mais importante: o amor materno. Através
de uma ternura invulgar, de poesia e de uma simplicidade desarmante, este livro
homenageia e exalta uma das forças mais poderosas da natureza: o amor
incondicional das mães.

Sinopse
A mulher que prendeu a chuva reúne 14 contos que partem da vida quotidiana
mas se abrem, insensivelmente, a outros mundos - oníricos, fantásticos,
terríveis ou absurdos - que nem por isso deixam de nos pertencer e de ser o
lugar onde habitamos.
A mulher que prendeu a chuva de Teolinda Gersão
6 de novembro de 2012
Diários de escrita, por Pedro Lopes, 12º B
Não vou falar de um herói, mas, sim, de uma heroína, uma heroína transcendente a quem devemos tudo o que temos, mas nem sempre lhe damos o valor devido, apesar dos constantes avisos que ela nos envia. O seu nome é Natureza.
Esta heroína é,
na minha opinião, a nossa criadora, a verdadeira Mãe Natureza. Tudo de belo que
existe no nosso mundo a ela pertence. Desde os rios, aos mares, às plantas,
animais, até nós mesmos somos fruto da nossa Natureza.
Mas nem tudo é um
mar de rosas, por vezes, temos tendência a superiorizar-nos à Natureza. Talvez
sejamos inteligentes demais, talvez estúpidos demais, a verdade é esta: A
Natureza dá-nos comida, água, oxigénio, ela dá-nos vida; é a nossa heroína. Mas
não é isto que as pessoas veem. Para muitas, a Natureza não passa de uma vilã,
pois manda furacões, tempestades, terramotos e por aí adiante. Se eu fosse a
Natureza, certamente não estaria contente também. Ela dá-nos um rio, nós
poluímos, Ela dá-nos florestas, nós destruímos. Como poderá ela não responder
negativamente? Eu até acho que está a ser paciente demais, o que revela bem a
sua faceta heroica. Os culpados? Ser humano, e só ele mesmo, demasiado
ambicioso, demasiado convencido, demasiado mesquinha. Também existem exceções,
e essas são quem eu considero os ‘super’ heróis, pois veem a realidade,
enquanto o resto do mundo vive cego, numa rotina, sem ter tempo para pensar no
que está a acontecer.
E assim acho que
estamos a subestimar e desvalorizar a nossa única verdadeira heroína, sem
ficção, pura realidade. E a verdade é que a sociedade de hoje abusa, e este
abuso poderá ser o nosso fim.
Artur Roriz, um Barcelense antifascista

No âmbito das atividades desenvolvidas para assinalar o Mês
Internacional das Bibliotecas Escolares, esteve presente na escola, o
Investigador e Bibliotecário, D.r Victor Pinho, para assinalar os 50 anos da morte de Artur
Roriz, um combatente antifascista, uma das figuras barcelenses
mais interessantes do século passado.
Herdeiro dos ideais republicanos
do Cinco de Outubro, manteve-se sempre fiel a esses princípios e foi sempre
um democrata.
Participou, activamente, no combate ao regime ditatorial que vigorou, em
Portugal, durante quarenta e oito anos
derrubado pelo vinte e cinco de Abril. Por isso, foi perseguido e conheceu a prisão.
Homem de carater e culto, foi
um corajoso jornalista e um distinto poeta, tendo sido co-autor de duas peças de teatro de revista levadas ao palco no teatro
Gil Vicente.
Foi primeiro comandante dos Bombeiros Voluntários de Barcelos,
de 1936 a 1942,
Inspector de Incêndios e Delegado Distrital da Liga dos Bombeiros Portugueses .
Nesta cidade, exerceu o cargo de
correspondente do diário
portuense "O Primeiro de Janeiro ".
Distinto poeta, deixou no semanário local "A
Verdade", que foi fundado, em 30 de Março de 1922, e dirigido por si. algumas belas
poesias, com o pseudônimo de Afonso Gorky.
Republicano Histórico, pertenceu ao MUD Movimento
de Unidade Democrática
que apoiou as candidaturas à Presidência da República de Norton de Matos (1949)
e de Humberto Delgado (1958).
Perseguido pela Pide, chegou mesmo a estar detido.
Aquela polícia política tentou prendê-lo, por diversas vezes, em sua casa,
no largo José Novais, onde funciona actualmente o posto de Turismo. Acerca
disso contam-se algumas histórias. Uma vez, disfarçou-se de padre e saiu sem
que os agentes se apercebessem da sua verdadeira identidade. De outra vez,
saltou para o quintal da casa ao lado, Casa dos Machados da Maia (actual
Biblioteca Municipal), onde funcionava um lar de idosas e aí permaneceu. Tendo deslocado um osso da perna foi socorrido
pelo seu amigo Dr. Francisco Torres que
lhe prestou os primeiros socorros, tendo depois saído em maça, para a sua residência, no meio de muita gente que enchia o
largo onde morava e que se regozijava com o facto de não ter sido detido.
Amigo de Abel Salazar, acompanhou-o, em Janeiro
de 1939, numa visita à nossa cidade, à feira e aos oleiros.
Artur Cândido Roriz Pereira nasceu em Barcelos, em 5
de Março de 1891 e faleceu, na mesma localidade, na sua residência, no
largo José Novais. em 30 de Outubro de 1962.
Frequentou o Externato Barcelense e, em Outubro de
1917, em Guimarães, no liceu Martins Sarmento, fez exame do 3° ano do curso
geral dos liceus.
Foi gerente da livraria A.B.C., do Porto, a partir de Outubro de 1930,
tendo ainda trabalhado na Tipografia
"Minerva de Famalicão", do democrata José Casimiro da Silva
Casou com Júlia Gonçalves Ramos Roriz
Pereira, em 11 de Janeiro de 1934, de quem teve descendência.
Jornalista distinto e brilhante,
fundou e dirigiu as publicações barcelenses, "O Despertar'' (1909) e
o semanário "A Verdade"(1922), tendo sido ainda redactor de "A
Opinião"
(1931).
Colaborou ainda em outros jornais, designadamente em "O Barcelense".
Foi autor, juntamente com Décio Nunes e Augusto
Soucasaux, das peças de teatro de revista "Ai que Treta Se
Mariquinhas" e "Ou Vai Ou Racha" que foram representadas no
teatro Gil Vicente, respectivamente em 1935 e 1955.
Exerceu, pelo menos por três vezes, o cargo de
administrador do concelho de Barcelos, durante a 1a República.
A sua acção a favor do voluntariado,
designadamente através de escritos em jornais, foi reconhecida pelo Conselho
Administrativo e Técnico da Liga dos Bombeiros Portugueses que, em sessão de 5 de
Julho de 1937, exarou um voto de profundo reconhecimento.
Em Janeiro de 1939, foi nomeado comandante honorário da Associação
dos Bombeiros da Póvoa de Varzim e em 22 de Agosto de 1945, foi empossado como Comandante Honorário
dos Bombeiros Voluntários de Esposende.
Foi condecorado com a medalha de prata do
Instituto de Socorros a Náufragos, em Dezembro de 1939.
Quando morreu, era funcionário superior da
Companhia Editora do Minho, responsável pela revisão de textos dos livros a
editar e director da Empresa Teatral Gil Vicente.
O escritor barcelense Fernando
Lopes recorda-o, descrevendo-nos o seu retrato físico:
"Tantas vezes
ali entrei, naquele escritório do rés-do-chão. Eu, um jovem ainda. Ele...Bem, sempre o
conheci daquele jeito: um físico seco e sobre o miúdo, o rosto magro, nariz adunco, farta cabeleira
grisalha subindo em cascata de ondas, os olhos claros e vivíssimos, límpidos, irrequietos... Um jovem que nunca pude
entender calhado no fato escuro,
sempre escuro, que a mim parecia vir dos tempos da República. Um jovem, sim, apesar de marcado pelos anos, uma
genica nos gestos, um verbo de fogo, uma
capacidade enorme de acreditar nos homens, no futuro, na vida. Homem que vinha dos tempos, para mim recuadíssimos, da propaganda
republicana, democrata, resistente no fascismo até á morte... "
(...) "...indiscutivelmente uma das poucas figuras "históricas" da cidade. Um dos homens que Barcelos, sem
desonrar-se, não pode esquecer.
" ("Artur
Roriz: um resistente, um amigo", in "Barcelos Popular". n°
75, ano 3,
13/09/1979).
O jornalista Homero Serpa relata que Artur
Roriz Pereira, simpatizante da causa dos Aliados, durante a segunda-guerra
mundial, desempregado e com a promessa de um bom emprego, fez espionagem para os ingleses e divulgou propaganda
inglesa. ("Cândido de Oliveira:
Uma Biografia", 2000). A Pide prendeu-o em 21 de Janeiro de 1942 e só
regressaria da prisão em Março de 1944, mas já não era 1° Comandante dos Bombeiros
Voluntários de Barcelos.
Artur Roriz bateu-se sempre pelos seus ideais,
um Barcelense Ilustre que está consagrado na toponímia da freguesia de Arcozelo.
Texto: Victor Pinho
Esta conferência, foi o culminar das várias iniciativas programadas para o
Mês Internacional das Bibliotecas Escolares.
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