Time And Relative
Dimension In Space
Quando eu estava no 1º ciclo, era
frequente escrevermos redações sobre o tema do texto que tinha introduzido a
matéria. Escrevi imensas composições dessas. Talvez dezenas. Mas recordo-me somente
de uma. Era sobre viagens ao futuro.
Nunca me saiu da cabeça. Esteve
sempre na sombra, escondida nos recantos das minhas memórias, mas estava
presente. Nunca a poderia esquecer. Como poderia? Era a minha preferida. A
minha obra de arte.
Durante algum tempo, pensei que
era a minha mensagem sobre ambientalismo. E achei que era por isso que gostava
tanto dela. A professora tinha-nos pedido para escrever sobre uma viagem no
tempo, e eu imaginei uma viagem ao futuro em que a protagonista se deparava com
um mundo extremamente poluído, dominado por robôs e em que a Humanidade estava
perdida (sempre fui um poço de otimismo, no entanto, hoje em dia, acho que o
futuro vai ser pouco diferente, apenas sem os robôs, que não temos tempo de
desenvolver tecnologia tão avançada).
Alguns anos volvidos, eu sei que não
era a lição sobre proteger o ambiente que me ligava tanto a esta história. Era
a ideia de viagem no tempo.
E a razão pela qual a viagem no
tempo me fascina tanto é a de que eu não consigo verdadeiramente compreender o
que é o tempo. Apenas sei que este pura e simplesmente é, que forma uma íntima
dualidade com o espaço e que tem tantos e tão complexos paradoxos que já
fizeram muitos cérebros dar o nó. Incluindo o meu, como é claro.
O que me levou a fazer algumas
perguntas. O tempo é linear? (Tendemos a pensar assim, mas parece-me uma visão
demasiado simplista.) É possível viajar no tempo? (Não faço ideia, mas espero mesmo
que sim. É um dos meus sonhos de infância.) E esta conduz a várias outras
perguntas: se viajar no tempo é possível, porquê que ainda não vimos ninguém do
futuro? Ou então, podemos mudar o passado? Oh, mais uma das difíceis.
Há várias respostas. Se eu for ao
passado para mudar alguma coisa e for bem-sucedida, deixo de ter razões para
mudar o passado, pelo que não viajo no tempo, e assim o passado não muda e
volto à situação original e viajo no tempo para mudar o que aconteceu e por aí
fora num ciclo interminável. Eu poderia até impedir o meu próprio nascimento,
levando a uma situação semelhante. Outro cenário é o de que eu vou atrás no
tempo e acabo por ser eu a causar os acontecimentos que já se tinham passado e,
nesse caso, é impossível mudar a História.
E quanto ao futuro? (Bem, o
passado não é já complicado que chegue?) Se eu souber o futuro, este ainda vai
ser o mesmo? Ou as coisas só acontecem porque eu sei que sim? Ou nenhuma das
duas?
Ninguém sabe as respostas a estas
perguntas. Desconfio que no dia em que alguém conseguir perceber o que é e como
funciona o tempo, fica provada a (in)existência de Deus e explicado o universo,
pelo que este implode por falta de mistérios.
Procurando impedir esse colapso
da existência (assumindo que não fazemos parte de um multiverso), eu vou recuar
no tempo e impedir-me de escrever isto (não vá alguém começar a pensar no
assunto, ter uma epifania e encontrar as respostas). Talvez possa aproveitar
melhor este tempo para ver the Doctor
e a sua caixinha azul.


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