6 de maio de 2012

O Lugar da Poesia, por Daniela Alves, 10º A

Vida!
De diversas formas e sentidos,

explicaram-me o que era a vida.
Mas também já me disseram
que se trata de uma palavra indefinida.
E todos temos uma opinião,
uma diferente interpretação
da tal palavra que ainda não encontrou
a devida definição.
E assim surge a palavra:
Vida!
E com simples palavras, direi:
Vida, é caminhar 
e quando cair levantar;
Vida, é para o passado olhar
e o futuro enfrentar;
Vida, é sorrir
mesmo quando os motivos nos estão a fugir;
Vida, é acreditar
mesmo quando a esperança nos está a escapar;
Vida, é voar e sonhar
sem os pés da terra levantar;
Vida, é agir com sinceridade,
abraçar com carinho 
e amar com intensidade;
Vida, é preencher cada momento
com um simples toque de magia
e tornar memorável cada teu dia;
Vida, é enfrentar cada desafio
sem derrotismos
e arranjar sempre um motivo 
para sorrir;
Vida, é cada mistério descobrir.

1 de maio de 2012

Diários de escrita, por Sérgio Carvalho

Cumpri a minha promessa de estar longe de ti. 
Não foi necessário ouvir o não... bastou-me não ouvir uma única palavra vinda de ti! 
Perdi a inspiração para escrever, perdi a inspiração para amar o que verdadeiramente eu amei: tu! 
Já não sinto o meu coração a palpitar: sinto-o a sofrer. Sinto-me triste, vazio. Custa-me a respirar. 
Custa-me olhar-te pois se o fizer, vou saber que o meu mundo ruiu de um momento para o outro e eu não fiz nada para que isso acontecesse. 
 Podias ter dito que não! Podias ter dito algo em vez de me ignorar, me deixar na dúvida durante tempo infinito. 
A felicidade desistiu de mim. Acho que é isso: a felicidade desistiu de mim. Ou então pareço um fantoche nas mãos dela. 
Ou então, a felicidade foi inventada por um pseudo poeta qualquer. 
Olho para os outros e sinto-me só. Vazio sem alguém! Apenas preciso do abraço no momento certo, de um simples abraço. 
Um abraço que não chega... afinal, tu não chegas e estás tão perto! 
Preciso de recuperar o fôlego: acreditei durante tempo demais que esta corrida ia acabar. Acabou comigo... deixei-me vencer pelo cansaço do simples existir.

30 de abril de 2012

Diários de Escrita, por Alice Loureiro, 12º A


Ser português tem múltiplos e diferentes significados para cada um de nós. Para uns, é bom, para outros, mau. Pessoa mostra o que é ser português e o que deve ser português, o que deve marcar e marca o povo deste pequeno recanto da Europa. Na sua perspetiva e na de seus heterónimos, Fernando Pessoa expõe aquilo que acha que faz Portugal e os portugueses.
Com Caeiro sentimo-nos eternos, mas quem nos diz que não o poderemos ser? Basta marcar a eternidade como o próprio Pessoa fez com os seus poemas. Com Campos transformamos o quotidiano em aventura, “aventura labiríntica”, em que o moderno, novo e desafiador nos provoca para a ação - uma coisa que ultimamente pouco se vê – que nos excita, exalta e entusiasma para viver a aventura e desfrutar a sensação de vitória e sucesso. Com Reis desfrutamos o presente, o momento. Vivemos as coisas boas, fugimos à dor. Por isso o fado não é uma canção triste, simplesmente é “a tristeza feita verbo”. Com a Mensagem imaginamos aquilo que, infelizmente, não fomos, mas com a esperança de um dia virmos a ser.
Portugal foi protagonista de grandes feitos e admiráveis conquistas, mas também passou por momentos menos bons. Pessoalmente, acho que nós somos um povo dotado de uma cultura riquíssima, isto porque somos um povo criativo, que gosta de viver a emoção e partilhá-la de formas diversas e únicas. Temos, assim, a literatura, o fado, a gastronomia, … Somos um povo que vive de criatividade, que sente intensamente e não descuida de o mostrar, sendo alegria, tristeza ou descontentamento.
           Receio, no entanto, que esta impulsividade emocional, a certo ponto, nos prejudique. Não controlamos bem as nossas emoções. Vivemos aqueles momentos, agimos de acordo com eles e… já está! Digo que sentimos e agimos impulsivamente sem sequer pensar no futuro, nas consequências que o ato pode trazer. E isto poderá explicar a forma como Portugal consegue repentinamente passar do tempo de prosperidade para o completo desespero e aflição. A solução seria marcar a eternidade, vivendo a aventura, procurando o sucesso, sem nunca perder a noção de moderação. Assim, a pátria sonhada poder-se-ia concretizar. A solução seria Pessoa, Caeiro, Campos e Reis…
           Mesmo assim tenho orgulho em ser de Portugal. “A pele que tenho é a pele que sou”, nasci em Portugal, vivo em Portugal e sempre serei portuguesa, com defeitos e qualidades. E, se alguém procura uma nação perfeita, procura o impossível. Devemos viver onde estamos bem, e eu estou bem em Portugal.

28 de abril de 2012

Diários de escrita, por Jorge Filipe Miranda Roriz, 10ºB

Nasci a 25 de Março de 1978 em Stuttgart, na Alemanha. Complicações durante o parto, momentos de desespero e de repente um som agudo e contínuo preencheu o bloco operatório por volta das quinze horas. Ela tinha desaparecido. Cresci com os meus dois irmãos mais velhos, Frederico e Fábio, mas as condições em que vivíamos eram miseráveis. Meu pai tinha sido preso, após uma intervenção policial, por tráfico de estupefacientes. Vivíamos sozinhos, os meus irmãos mais velhos não estudaram mas fizeram questão de me instruir com o objetivo de me tornar o alicerce da família. Fui para a escola. Fui gozado, maltratado, humilhado. Vestia-me da união de trapos velhos e não tinha calçado. Não tinha amigos com quem brincar. Nos intervalos isolava-me e escondia-me para que os rapazes de classe superior não me agredissem, e pensava, pensava no meu futuro, o que iria fazer. O tempo foi passando e em casa estávamos cada vez mais desesperados, no início da década de 90, o país entrara numa crise financeira precária. A minha vida logo se desmoronou. Não comíamos há aproximadamente cinco dias e vi-me obrigado a vaguear pelas ruas com a mão estendida a mendigar. Com algumas doações dos mais bondosos, fomos sobrevivendo até que, numa tarde, um senhor bem vestido, acompanhado de dois homens com grande porte, me arrastaram para uma carrinha e me transportaram durante horas. Quando, de repente, a carrinha parou. Abriram a porta velozmente e estava sitiado num dos mais rígidos e rigorosos orfanatos de Duisburg, a norte do país. Instalaram-me num quarto e não me mencionaram razões para ali estar. Passaram horas, dias, meses, anos, de pura solidão e árduo estudo. Comemorei o meu vigésimo aniversário, pela primeira vez com um bolo, fornecido pela Sª. Alice, a funcionária do refeitório. Não poderia continuar no orfanato e saí. Continuava sem dinheiro e o bilhete de comboio de volta a Stuttgart, era muito caro. Como fizera antes voltei a vaguear pela ruas com o intuito de conseguir o valor necessário à viagem. Conheci a Ana Kaufmann, uma rapariga simples, gentil, honesta. Mas, algo havia em comum foi então que ela me contou a sua história. Adotada por uma das famílias mais ricas daquela cidade aquando da juventude. Durante o período em que esteve no orfanato, tentara várias vezes fugir, mas não terá sido bem-sucedida. Devido à tensão e à falta de liberdade tentara também suicidar-se mas apercebeu-se no último minuto que a vida seria muito mais do que aquilo que ela havia conhecido, desistiu. O amor pela literatura levou-a a concorrer à universidade de letras do Norte. Senti naquele momento que algo muito forte nos aproximava. Contei-lhe a minha história de vida e ela melancolicamente começou a chorar. Fez questão em pagar-me a viagem de regresso. Eu aceitei, porque a saudade que sentia dos meus irmãos era superior à ética de recusar a oferta. No dia seguinte, comprei o bilhete e após uma longa viagem onde predominava o sentimento de ansiedade, cheguei a Stuttgart. Corri em direção à rua onde estava situado o casebre em que havia vivido à uma década atrás, mas o local estava degradado, e era percetível a ausência de vida humana. Procurei durante meses, os meus irmãos, mas não os encontrei. O desespero acentuou-se após um ano de intensa e exaustiva procura. Até que os encontrei em estado miserável, num beco na fronteira da cidade de Stuttgart. A casa teria sido hipotecada devido ao não pagamento das cotas mensais da água e da eletricidade. Ana voltou a ajudar-me e sem consentimento dos pais adotivos emprestou-nos um dos muitos apartamentos da família Kaufmann e algum dinheiro. Entrei na universidade de artes e terminei o curso de arquitetura com uma das mais altas médias do ano. As oportunidades de emprego foram surgindo e inúmeros prémios me foram atribuídos. A nível monetário a minha vida foi-se recompondo, ofereci uma casa a cada um dos meios irmãos e garanti estudos para os dois. Recentemente, casei com Ana e os frutos do nosso amor são a Beatriz e o Rui. Hoje, remonto a décadas passadas e resumo a minha vida obtendo como recompensa as expressões curiosas dos meus dois pequenos. Sou quem sou devido às experiências que vivi e à mulher simples com quem casei. Sou eu, Jorge Hübner e uma história de décadas, um diário de uma vida.

25 de abril de 2012

O lugar da poesia, por Pedro Manuel Simões Fernandes, 11º A

Hoje sentei-me no banco do jardim onde nós,
por feito do destino nos conhecemos,
onde nos sentávamos a impor palavras,
onde víamos o sol nascer com o cantar dos pássaros
 e pôr-se atrás do mar que se silenciava.
Mas hoje tudo isto me pareceu estranho.
O sol nasceu e os pássaros emudeceram e,
quando se pôs, as ondas do mar rebentaram.
Faltava-me completar o dia com as tuas palavras.
Todavia, tu não estavas lá empiricamente.
O teu perfume não o levava o vento,
nem a tua voz se sobrepunha aos passos na calçada.
Hoje, tu não existias naquele jardim.
Ninguém deu pela tua falta na rua
porque nunca contaram as flores dos canteiros.
Mas eu contei e hoje faltava a mais formosa.
Desapareceu o aroma do fado da praça
cantado pela singular voz de um adolescente,
que entre as notas da guitarra portuguesa dizia:
Chorem os céus com tanto brilhar, 
Hoje morreu a esperança com aquele luar. 
Poema vencedor do concurso, "Pequenos grandes poetas" 2012.

Pensamento do mês - setembro