Ser
português tem múltiplos e diferentes significados para cada um de nós. Para uns,
é bom, para outros, mau. Pessoa mostra o que é ser português e o que deve ser
português, o que deve marcar e marca o povo deste pequeno recanto da Europa. Na
sua perspetiva e na de seus heterónimos, Fernando Pessoa expõe aquilo que acha
que faz Portugal e os portugueses.
Com
Caeiro sentimo-nos eternos, mas quem nos diz que não o poderemos ser? Basta
marcar a eternidade como o próprio Pessoa fez com os seus poemas. Com Campos
transformamos o quotidiano em aventura, “aventura labiríntica”, em que o
moderno, novo e desafiador nos provoca para a ação - uma coisa que ultimamente
pouco se vê – que nos excita, exalta e entusiasma para viver a aventura e
desfrutar a sensação de vitória e sucesso. Com Reis desfrutamos o presente, o
momento. Vivemos as coisas boas, fugimos à dor. Por isso o fado não é uma
canção triste, simplesmente é “a tristeza feita verbo”. Com a Mensagem imaginamos aquilo que,
infelizmente, não fomos, mas com a esperança de um dia virmos a ser.
Portugal
foi protagonista de grandes feitos e admiráveis conquistas, mas também passou
por momentos menos bons. Pessoalmente,
acho que nós somos um povo dotado de uma cultura riquíssima, isto porque somos
um povo criativo, que gosta de viver a emoção e partilhá-la de formas diversas
e únicas. Temos, assim, a literatura, o fado, a gastronomia, … Somos um povo
que vive de criatividade, que sente intensamente e não descuida de o mostrar,
sendo alegria, tristeza ou descontentamento.
Receio, no entanto, que esta
impulsividade emocional, a certo ponto, nos prejudique. Não controlamos bem as
nossas emoções. Vivemos aqueles momentos, agimos de acordo com eles e… já está!
Digo que sentimos e agimos impulsivamente sem sequer pensar no futuro, nas
consequências que o ato pode trazer. E isto poderá explicar a forma como
Portugal consegue repentinamente passar do tempo de prosperidade para o completo
desespero e aflição. A solução seria marcar a eternidade, vivendo a aventura,
procurando o sucesso, sem nunca perder a noção de moderação. Assim, a pátria
sonhada poder-se-ia concretizar. A solução seria Pessoa, Caeiro, Campos e Reis…
Mesmo assim tenho orgulho em ser de
Portugal. “A pele que tenho é
a pele que sou”, nasci em Portugal, vivo em Portugal e sempre serei portuguesa,
com defeitos e qualidades. E, se alguém procura uma nação perfeita, procura o
impossível. Devemos viver onde estamos bem, e eu estou bem em Portugal.





