16 de abril de 2012

Diários de escrita, por Nídia, 12º B



SER Português 
 Fernando Pessoa é talvez o melhor autor para nos fazer refletir sobre a temática do ser português. Através dos seus heterónimos e do próprio ortónimo, transmitiu diversas mensagens à nação portuguesa. Mensagens, essas, que viajaram através dos anos e mantêm-se intemporais. 
A nacionalidade portuguesa é muitas vezes associada à melancolia e à tristeza que o próprio fado, como canção nacional, reproduz. O povo português não é, por norma, melancólico. O fado comum dá voz à palavra saudade, que é uma palavra exclusivamente portuguesa e galega e que tem bastante significado para o português por ser tão sua e por transmitir uma mistura de sentimentos como amor e distância. Nós possuímos uma aura que muitos desconhecem e que está retratada no fado. Por essa razão, é bastante complicado para um estrangeiro perceber a mensagem implícita na nossa canção nacional.
 Antigo dono de um vasto império e descobridor de várias terras, hoje poderosos países, o povo português, apesar de ter perdido a maior parte dessas colónias, é um povo orgulhoso. Portugal foi o pioneiro da globalização e teve grande influência em todo o mundo. Presentemente, não é bem assim. Apesar do orgulho que nos enche a alma, estamos esquecidos. Perdeu-se o sentido de globalização e as gerações modernas desconhecem o sentimento de poder. Portugal possuiu muito e muito perdeu. Nos dias de hoje a história repete-se. A crise económica que se vive não deixa margem para dúvidas de que o nosso país está prestes a bater no fundo. Podemos, no entanto, ser anedota de jornais e de programas televisivos, mas o nosso queixo continua levantado.
 Em conclusão, ser português é mais do que ter uma nacionalidade no bilhete de identidade, é um modo de vida, um estado de espírito. Citando Fernando Pessoa “o português é capaz de tudo, logo que não lhe exijam que o seja. Somos um grande povo de heróis adiados”. 

11 de abril de 2012

O Lugar da Poesia, por Joana Trigueiros Reis, ex-aluna da escola

Na imagem: "A poesia está na rua", por M.Helena Vieira da Silva
poesia.
Não me perguntes o que é a poesia: eu não sei nomear o que me vem do lado de dentro.
Se tudo na vida é poesia, pergunta-me antes o que na vida não é.
Há em mim um amor pela cadência musical dos afectos, que é poesia.
Há em mim um amor pela angústia metafísica das coisas, que é poesia.
E um desamor por tudo o que não lateja
não vibra
não emociona
não rompe
não quebra
não cai.
A poesia e a ausência dela:
medidas exactas do meu amor e desamor pelas coisas.
Prenúncios precisos da minha crença nas horas
que ficaram por vir.
Poesia minha que me devolve em cor os dias baços
E me serena mais
Que uma religião qualquer.
Seria preciso que me fosses
Estranha,
Externa,
Estéril,
Para conseguir enunciar-te.
Mas tu és o verso mais universal
Do meu universo
E vens-me de dentro
Como um suspiro.
E eu só sei reconhecer-te
Quando me faltas.

10 de abril de 2012

O Lugar da Poesia, por Daniela Alves, 10º A


Asas de andorinha, LIBERDADE!
Fui adormecendo lentamente
à medida que a noite caía.
Fui acordando suavemente
para um sonho repleto de magia.  

Senti correr-me nas veias
aquela sensação de liberdade.
Uma sensação que ainda hoje
permanece incompleta na realidade!

Por isso, limitei-me a usar a imaginação,
perdendo-me no pensamento e
voando pelo firmamento.

Sim, ganhei asas…
Asas de andorinha,
asas que por uma noite
me deixaram ser rainha!

Envolvida num mar de sensações
nem conseguia explicar,
que liberdade era aquela
que me invadia sem perguntar.

Porque liberdade
não é mais que voar sem destino,
escolher um caminho,
tomar  uma responsabilidade,
agir com verdade!

E o que seriamos nós sem Liberdade?
Seriamos…
…pássaros sem asas;
…crianças incapazes de sonhar;
…peixes sem barbatanas;
…seres incapazes de pensar!

E afinal,
O que fica de pé quando a liberdade cair?
                                                

Pensamento do mês de abril


O Lugar da Poesia, por Cláudia Costa, 12º A



Lágrimas

Pesam nos meus olhos
As lágrimas da tristeza que sinto.
São transparentes, ninguém as vê.
Mas acreditem que eu não minto.

São lágrimas
Aquelas que certo poeta
Verificou serem iguais
Seja qual for o lado da moeda.

São de dor e saudade
Por alguém que partiu.
São lágrimas da realidade
Que eu e tu partilhamos.

Será justo esperarmos
Por alguém que nos ajude
Que nos limpe o que choramos
Pela realidade trágica do Mundo?

O Lugar da Poesia, por Pedro Manuel Simões Fernandes, 11º A

Hoje sentei-me no banco do jardim
onde nós, por feito do destino, nos conhecemos,
onde nos sentávamos a impor palavras,
onde víamos o sol nascer com o cantar dos pássaros
e pôr-se atrás do mar que se silenciava.
Mas hoje tudo isto me pareceu estranho.
O sol nasceu e os pássaros emudeceram
e, quando se pôs, as ondas do mar rebentaram.
Faltava-me completar o dia com as tuas palavras.
Todavia, tu não estavas lá empiricamente.
O teu perfume não o levava o vento,
nem a tua voz se sobrepunha aos passos na calçada.
Hoje, tu não existias naquele jardim.
Ninguém deu pela tua falta na rua
porque nunca contaram as flores dos canteiros.
Mas eu contei e hoje faltava a mais formosa.
Desapareceu o aroma do fado da praça
cantado pela singular voz de um adolescente,
que entre as notas da guitarra portuguesa dizia:
Chorem os céus com tanto brilhar,
Hoje morreu a esperança com aquele luar.

Pensamento do mês - setembro