15 de fevereiro de 2012
14 de fevereiro de 2012
Diários de escrita, por Liliana Figueiredo, 11º D
“Nós
também somos ‘feitos’ pelos livros que nos marcam, pelos filmes que vimos e
pelas músicas de que gostamos.”
Nós
somos o que vemos. Nós somos o que ouvimos. Nós somos, por vezes, o que querem
que sejamos. Nós somos o que a sociedade mostra, o que a sociedade quer, o que
a sociedade ensina.
Os
livres, os filmes, a música, são artes que fazem parte da nossa vida desde
cedo. São, por vezes, ferramentas essenciais no nosso crescimento, no nosso
desenvolvimento.
Todos
já lemos um livro que nos marcou, todos já vimos um filme que nos mudou porque
retratava algo de que não gostamos ou até mesmo ouvimos a música com aquela
letra com que se identifica a nossa vida.
Pessoalmente,
já li um livro que me marcou, uma história real que mudou a minha forma de
pensar e até mesmo a minha forma de agir. São pequenos livros, pequenas
histórias marcantes que nos fazem pensar e refletir sobre nós, sobre o que
fazemos e o que queremos fazer.
Quantos
livros, filmes ou músicas não falam de doenças, por vezes, difíceis de tratar,
doenças que nos passam ao lado e até não damos muita importância, só passamos a
dar a devida importância quando percebemos que, afinal, também nós podemos
passar por situações idênticas.
São
os filmes, os livros, as músicas, que crescem connosco, que nos vão “formando”
como seres humanos, como pessoas.
Por
outro lado, quantos livros, filmes ou até mesmo músicas que expressam violência
não mudam as pessoas?
Hoje
em dia, os mais jovens, crianças, têm acesso a tudo, desde filmes violentos, a
livros violentos, isso, por vezes, influencia-os, ensina-os. Arrisco-me até a
dizer que muitos atos de violência causados por jovens devem-se às coisas que
veem, às coisas que ouvem.
Nem
todos os casos são iguais, nem todas as pessoas leem o mesmo, nem todas as
pessoas veem o mesmo, nem todas as pessoas ouvem o mesmo.
Assim,
somos “feitos” pelo que nos rodeia - os filmes, os livros, as músicas, a
sociedade. Somos seres influenciáveis e vamos na maré.
13 de fevereiro de 2012
Diários de Escrita, por Helena Torre, 12º B
Experiência marcante
A
vida é algo de extraordinário de tal forma que constantemente somos
surpreendidos com múltiplas experiências, algumas delas tão marcantes, que
alteram absolutamente o nosso jeito de sentir, pensar e estar. Refiro-me a
todas as vivências humanas arrebatadoras, positiva e negativamente. Num cômputo
genérico, e nesta ainda minha breve existência, considero que as situações de
dor e sofrimento são as mais estruturantes da nossa própria humanidade.
De
forma simples e concisa, acredito que viemos ao Mundo para sofrer, para
aprender a ultrapassar batalhas e barreiras com que a vida nos encarrega de “presentear”.
Vou narrar - vos uma memória que descreve breves momentos da história da minha
avó.
Ora,
se Deus existe e, se enviasse representantes à Terra, sem dúvida que a
minha avó seria um deles. Sempre a conheci determinada e forte, mas, com
o passar dos anos, o castelo de betão armado que ela construiu parece que
se transformou num castelo de cartas que aos poucos se foi desmoronando.
(Avó,
tiveste de ultrapassar a perda de um filho, que só quem passa por algo do
género na família é que sabe a dor que é, mas não te deixaste enfraquecer
por tão forte embate. Por incrível que pareça, eras tu que davas forças a quem
não a tinha).
E
como tal dor não fosse suficiente, nos últimos meses, o cancro veio visitar-te.
Como pessoa de força que és e habituada a lutar e a vencer não quiseste que
ninguém soubesse da tal súbita visita. Guardaste contigo tão atroz segredo e
sofreste em silêncio.
Mas,
com o passar dos meses, a mulher que outrora sofrera pela perda do filho quebrou,
retomou o olhar cabisbaixo, já não conseguia dissimular o sofrimento e o
segredo que guardava. Eu sei que tu não querias que ninguém sofresse por ti, ou
que te vissem sofrer, mas deixaste-nos a sofrer, porque amar é sofrer pelo
outro e com outro. Como tudo é irónico e simultaneamente cruel.
Ninguém
esperava que alguém que já tanto sofreu em tempos tivesse agora de passar
por tudo outra vez, ninguém o merece, e Tu não o merecias mesmo. A minha alma sofre de momento, sei que chorarei,
mas já quase me secaram as lágrimas, pois sinto-me esgotada ao assistir à luta
desumana que tu travas. O vazio que senti e sinto ensinaste--me tu que o devo
ultrapassar, tornando-se este o maior preceito da minha vida.
Sofro,
mas creio que nada foi em vão, porque tu ensinaste-me que viver é algo de
extraordinário e inadiável).
Somos
surpreendidos com experiências, algumas delas tão marcantes que alteram
absolutamente o nosso modo de sentir, pensar e estar.
Amanhã
sorrirei... aprendi que é com o sofrimento que a batalha da vida ganha efetivamente
sentido. Obrigada, avó!
Diários de Escrita, por Liliana Gomes, 12º B
A amizade
A amizade é uma relação presente
na vida de todas as pessoas, mas há variáveis que nos fazem vivenciá-la de modo
distinto, a idade, o género, o contexto cultural em que cada um se insere.
As relações que
estabelecemos com os outros seres com os quais nos identificamos, conversamos
espontaneamente e sem receio, ocupa, no nosso dia-a-dia, um enorme espaço
dentro de cada um de nós e muito do nosso tempo ou dos nossos tempos livres.
Para os amigos, dirigimos e também recebemos os nossos afetos, os nossos medos,
as nossas angústias. Com eles, fundimos dores e alegrias, crenças e desejos, a
nossa vida íntima é profundamente partilhada com outro, com sinceridade e plena
confiança. Na adolescência, período em que os pares desempenham um papel
socializador e determinante no desenvolvimento harmonioso de cada jovem, os
amigos potenciam a nossa afirmação, contribuem para a estruturação da nossa
identidade e criam-se as condições para o amadurecimento dos afetos. Deste
modo, constroem-se laços fortes sustentados na lealdade, no carinho e na
segurança, presentes naquelas relações que acreditamos serem eternas.
As relações de amizade
correspondem assim a um importante suporte psicológico, de tal forma que a sua
rutura irá resultar, muitas vezes, num grande fator de perturbação. Por esta
mesma razão Fernando Pessoa admite que “Eu poderia suportar, embora não sem
dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos.” De facto, Fernando Pessoa transmite, nas suas palavras,
o “peso” que a amizade tem nas nossas vidas.
Apesar
do reconhecimento do valor da amizade, ao longo da vida, as pessoas vão tendo
cada vez menos amigos pois vão assumindo múltiplos papéis socias, vão preenchendo
as suas vidas com projetos pessoais, profissionais e cívicos, e os amigos nem
sempre acompanham este novo ciclo e as suas mutações. Mas não é preciso termos
muitos amigos para sermos felizes pois, às vezes, basta uma verdadeira amizade
para nos sentirmos amparados e felizes em qualquer hora e em qualquer lugar,
sabendo que aconteça o que acontecer aquele ser humano especial permanecerá do
nosso lado.
A única forma de ter um
amigo é ser amigo pois uma relação de amizade implica reciprocidade absoluta. As verdadeiras amizades
suportam tudo, esperam tudo, creem em tudo e tudo perdoam pelo simples facto de
existir entre aqueles seres um laço de verdadeiro amor. Daí, a verdadeira
amizade ser aquela que o vento não leva e a distância não separa.
Segundo Charles Chaplin, com uma verdadeira amizade
a vida torna-se mais simples, mais rica e mais bela.
Diários de Escrita, por Anónimo, 12º ano
São
muitos os momentos que marcaram a minha vida. Desde os felizes aos menos bons,
dos mais simples aos mais complexos, a minha vida, tal com todas as outras, é
marcada por “momentos” em que tudo muda.
Vou contar o momento
que mais me marcou. Por mais estranho que pareça, foi um funeral. O funeral do
meu tio, irmão do meu pai. Nunca tive grande relação afetiva com aquele tio,
isso é verdade, no entanto, sei que nunca esquecerei aqueles dias…
Era um homem nos
quarenta, com três filhos ainda na juventude, um emprego estável, diabético,
problemas de coração e alcoólico. Porém nunca tinha grandes problemas de saúde.
Um dia, o coração parou. Parou por três vezes, e parou para sempre…. O dia do
funeral foi o dia mais difícil para mim. Toda a família estava em choque. Os
próprios filhos é que davam apoio, ironicamente… A sensação de olhar para o
caixão e ver lá o rosto do meu pai, imaginar que mais dia, menos dia, me iria
acontecer o mesmo foi das piores coisas da minha vida. Saber que o meu pai vai
morrer pelo mesmo motivo, por causa do estupido vício do álcool!... Foi um
aperto no peito, o nó na garganta, o sabor a sangue na boca, o arrepio frio de
Janeiro…
Um funeral é sempre um
momento triste e de despedida. Se um chora, todos choram… Vi o meu pai sem
expressão no rosto, sem sentimento algum… Vi o meu primo a abraçar-se ao pai a
dizer: “pai, já estou aqui”, “eu não o vou deixar”, “isto não é um até sempre,
é um até já. Logo já o temos de volta na nossa vida, na nossa casa”… Senti e
vivi aquele funeral como se fosse o funeral do meu próprio pai.
A minha relação com o
meu pai, tal como a dos meus irmãos, nunca foi uma relação pai-filho. O meu pai
sempre foi uma pessoa muito difícil, e tudo o que eu e os meus irmãos temos é
graças à força e à coragem da minha mãe. Sempre lutou, sozinha, para garantir
que nunca nos faltasse nada. Todos nós, os quatro irmãos, começamos a trabalhar
muito cedo para ajudar a minha mãe. Ano após ano, era uma luta constante contra
as loucuras e os desvaneios do meu pai. Nunca deixou o álcool nem o tabaco. As
crises de epilepsia foram-se agravando. Juntou mil e uma doenças ao seu
historial clínico. Passou meses e meses internado, dezenas de vezes entre a
vida e a morte… Nunca se importou. Só se importava em beber. Não percebia o
sofrimento que nos causava… Considero o meu pai, pura e simplesmente meu “dador
de esperma” e, por várias vezes, cheguei a desejar a sua morte. Como é que
alguém deseja a morte do próprio pai? Nem eu sei responder a isso. Angústia,
desespero, rancor… Eu só queria poder ter uma vida, uma vida a sério, sem
preocupações e sofrimento devido às asneiras que fazia. Estava farta das
discussões, de o ouvir renegar o meu irmão, de ouvir “tenho vergonha de ser sua
filha”… A minha mãe tinha vergonha de se separar… Foram anos e anos a fingir
não sofrer, a sofrer para mim, para não preocupar a minha mãe, tal como os meus
irmãos faziam. Não me lembro de ter outra vida. Só recordo dois momentos bons
da minha infância com o meu pai. Estranho, não?
E aquele funeral foi o
culminar de tudo. Imaginar se fosse ele. Sentir a dor de o perder, mas pensar
na quantidade de problemas que acabariam. Tive momentos de choro, de raiva e de
desespero. Nada estava nas minhas mãos. Nem nas da minha mãe ou dos meus irmãos.
Muito menos nas da restante família…
Já se passaram quase
três anos. O que mudou? Ainda não sei ao certo. O que eu mudei? A forma de encarar
a vida. O ódio e o rancor dão lugar à indiferença. Cada vez o seu estado de
saúde é mais reservado. É um aperto no peito vinte e quatro horas por dia, dia
após dia, receio de ser “agora” que lhe volte a dar uma crise de epilepsia, ou
qualquer outra coisa. E quando isso acontece, é ajudá-lo quando ele precisa,
acompanhar o empate do “vive ou morre”, de acompanhar principalmente a minha mãe…
O que aprendi com tudo
isto? Que pai só tenho um. Pode ser bom ou mau, mas não o posso mudar. Não o
posso trocar, muito menos devolver. É esquecer o passado, pensar no hoje e
imaginar que o amanhã será melhor… Como um grande amigo me disse: “o segredo do
sucesso não está em não cair, mas em se conseguir levantar sempre que se cai”.
Só me resta aceitar,
de igual forma, a vida e a morte. É fazer de ambas as experiências motivos para
me tornar forte e vencer as mais rudes circunstâncias da vida…
11 de fevereiro de 2012
Diários de escrita, por Regina Rodrigues, 11º D
O meu céu
Tenho um céu com poucas estrelas, mas estas são as que mais brilham e fazem com que uma pequena luz se torne a mais radiante.
Basta-me um eco, um som da vossa voz, basta-me o vosso silêncio, basta-me a vossa presença para que todas as minhas provações sejam ultrapassadas. Na vida existem coisas más e coisas boas, felizmente na minha vida só existem as boas porque vos tenho. No dia em que sentir a vossa ausência, não quererei existir, habitar mais num mundo em que só ouvirei o meu eco, só ouvirei o bater do meu coração.
A coisa mais insignificante que possa existir toma uma proporção tão grande quando dita por um de vós, a plenitude dos vossos conselhos fazem-me resistir a um mundo tão hostil e desumano. A vossa protecção assemelha-se a uma mãe que cuida do seu filho e que não abandona a cria por mais que a sua vontade seja anulada por uma incapacidade superior. Aqueles que fogem da loucura são incapazes de sentir amor, qualquer que seja.
A amizade é uma fonte inesgotável de felicidade, tem começo, mas nunca fim. Não, não é fácil. Nunca ninguém se atreveu a dizer que o era, mas nunca ninguém desistiu de tentar. Por mais que uma desilusão arranque as tuas forças, eu estarei lá, eu te erguerei e te colocarei de pé, eu te darei a mão para que a possas apertar com toda a força, eu te darei a minha voz para que possas gritar com o mundo, eu me desviarei para que passes, eu me matarei para que vivas!
Não é através de grandes feitos que verei uma amizade, mas sim através de pequenos detalhes da vida. Eu verei, sossegada, escondida, modesta e calma, mas, quando e, se for necessário, a verei feroz, agressiva, altiva e selvagem. Eu a verei, mesmo que os meus olhos ceguem e os vossos também, eu continuarei a ver, pois é isto a amizade.
É nisto que diferem os verdadeiros amigos daqueles que não o são, é nisto que diferem os que vivem o presente e não o passado ou futuro, é nisto que diferem os que se abraçam e os que fecham os punhos.
É isto que vos torna meus amigos, é isto que eu quero que se mantenha intacto para além da eternidade. Não tenho medo de o dizer: ‘’Amo-vos’’.
10 de fevereiro de 2012
Publicação dos 25 anos da Escola Sec/3 de Barcelinhos
Caros colegas,
Estimados Alunos:
A Escola Secundária de Barcelinhos comemora, este ano, 25 anos da sua existência. Para evocar essa data publicaremos um pequeno livro de memórias alusivo à história desta escola com fotografias e testemunhos de alunos,
professores e funcionários.
A vida é feita de história e evocar as pessoas que frequentaram a ESB é uma homenagem que não devemos deixar de fazer.
Neste sentido, venho convidar todos os que puderem colaborar com o envio de fotografias e testemunhos escritos, para de alguma forma poder perpetuar, nessa publicação, a história da ESB.
Se ainda mantiverem algum contacto com alunos ou professores, funcionários do vosso tempo, seria muito bom eles fazerem o mesmo. Peçam, em nome da escola, que escrevam um pequeno texto onde evoquem colegas, professores ou funcionários. Pode ser um episódio , uma peripécia, um colega, um professor, um aluno ou um funcionário que vos tenha marcado. Pode não ter que ver com o contexto da sala aula, mas com outro contexto de escola (recreio, visita de estudo, sala de professores,
clube...etc).
Quando me lembro da minha escola, o antigo liceu, tenho tantas recordações que davam para escrever um livro. Penso que qualquer
aluno/professor/funcionário as tem, basta um pouco de tempo e de vontade para se dedicarem a essa honrosa tarefa.
Ajudem no que puderem.
Muito obrigada!
Prof Helena Trigueiros
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