4 de dezembro de 2013

A pessoa mais  significativa para mim é o meu avô materno.
O meu avô tem 79 anos e desde de que nasci que vivo com ele porque moramos todos na mesma casa, com o meu pai, mãe, irmão e avó materna. Talvez por isso sempre fomos muito chegados e partilhamos uma grande ligação.
O meu avô é agricultor. Está sempre no campo com a minha avó a trabalhar, “na lavoura”, como ele diz. Sempre foi muito trabalhador e empenhado, não é de muito paleio - “ apenas digo o que é preciso”- e nunca está parado.
Mas há cerca de 3 anos foi-lhe diagnosticado um cancro na tiróide e teve de ser operado. Isto foi um grande abalo para o meu avô, para mim e toda a família. Tivemos de lidar com o facto de um homem dinâmico e trabalhador não estar na “sua terra”. Isto foi então muito difícil para todos, eu mal o via porque ele estava sempre nos tratamentos, só o via quando o ia visitar ao hospital e embora ficasse contente por o ver, saia de lá muito triste por vê-lo naquele estado, parado, fraco, sem falar nem saber se ia estar vivo no dia seguinte.
Após realização de vários tratamentos e muito tempo passado o meu avô está muito melhor graças aos tratamentos até aqui feitos e aos que ainda lhe faltam fazer. O cancro não alastrou mais, encontra-se estagnado e a diminuir de tratamento para tratamento. E foi num período de intervalo entre os tratamentos em que o meu avô se encontra em casa, que se deu um dos momentos mais significativos para mim, que marcou a minha forma de ser e de encarar/viver a vida.
Foi num dia de manha em que estávamos a fazer água ardente “o cheirinho”, como lhe chamamos, no alambique que temos em casa. Acendemos o lume, deitamos o bagaço para o cilindro, fechamos o cilindro, ligamos a água fria para arrefecer o vapor que sai do cilindro para o vapor solidificar (condensar) e, durante este processo demorado, os dois sentados e a falar disto e daquilo, eu perguntei ao meu avo “ como é que você lida com tudo isto, tratamentos, hospitais?” e foi então que ele me deu uma resposta muito curta mas que diz tudo: “Diogo, a resposta é muito fácil: estou vivo!”
Após isto durante aquele dia não falamos muito mais, e durante alguns dias tentei perceber o significado daquelas duas palavras, e foi então que cheguei à conclusão que não há um significado concreto para a vida e por isso temos de a viver e dar-lhe valor. Foi aí que me apercebi da grande lição que o meu avô me deu e que me faz orgulhar mais e mais do “meu jovem lutador”.
                                       Aluno de Psicologia do 12º Ano 

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