O
meu avô tem 79 anos e desde de que nasci que vivo com ele porque moramos todos
na mesma casa, com o meu pai, mãe, irmão e avó materna. Talvez por isso sempre
fomos muito chegados e partilhamos uma grande ligação.
O meu avô é
agricultor. Está sempre no campo com a minha avó a trabalhar, “na lavoura”,
como ele diz. Sempre foi muito trabalhador e empenhado, não é de muito paleio -
“ apenas digo o que é preciso”- e nunca está parado.
Mas
há cerca de 3 anos foi-lhe diagnosticado um cancro na tiróide e teve de ser
operado. Isto foi um grande abalo para o meu avô, para mim e toda a família. Tivemos
de lidar com o facto de um homem dinâmico e trabalhador não estar na “sua
terra”. Isto foi então muito difícil para todos, eu mal o via porque ele estava
sempre nos tratamentos, só o via quando o ia visitar ao hospital e embora
ficasse contente por o ver, saia de lá muito triste por vê-lo naquele estado,
parado, fraco, sem falar nem saber se ia estar vivo no dia seguinte.
Após realização de vários tratamentos e muito tempo passado o meu avô está muito
melhor graças aos tratamentos até aqui feitos e aos que ainda lhe faltam fazer.
O cancro não alastrou mais, encontra-se estagnado e a diminuir de tratamento
para tratamento. E foi num período de intervalo entre os tratamentos em que o
meu avô se encontra em casa, que se deu um dos momentos mais significativos
para mim, que marcou a minha forma de ser e de encarar/viver a vida.
Foi
num dia de manha em que estávamos a fazer água ardente “o cheirinho”, como lhe
chamamos, no alambique que temos em casa. Acendemos o lume, deitamos o bagaço
para o cilindro, fechamos o cilindro, ligamos a água fria para arrefecer o
vapor que sai do cilindro para o vapor solidificar (condensar) e, durante este
processo demorado, os dois sentados e a falar disto e daquilo, eu perguntei ao
meu avo “ como é que você lida com tudo isto, tratamentos, hospitais?” e foi
então que ele me deu uma resposta muito curta mas que diz tudo: “Diogo, a
resposta é muito fácil: estou vivo!”
Após
isto durante aquele dia não falamos muito mais, e durante alguns dias tentei
perceber o significado daquelas duas palavras, e foi então que cheguei à
conclusão que não há um significado concreto para a vida e por isso temos de a
viver e dar-lhe valor. Foi aí que me apercebi da grande lição que o meu avô me
deu e que me faz orgulhar mais e mais do “meu jovem lutador”.
Aluno de Psicologia do 12º
Ano
.jpg)
Sem comentários:
Enviar um comentário