30 de abril de 2012

Diários de Escrita, por Alice Loureiro, 12º A


Ser português tem múltiplos e diferentes significados para cada um de nós. Para uns, é bom, para outros, mau. Pessoa mostra o que é ser português e o que deve ser português, o que deve marcar e marca o povo deste pequeno recanto da Europa. Na sua perspetiva e na de seus heterónimos, Fernando Pessoa expõe aquilo que acha que faz Portugal e os portugueses.
Com Caeiro sentimo-nos eternos, mas quem nos diz que não o poderemos ser? Basta marcar a eternidade como o próprio Pessoa fez com os seus poemas. Com Campos transformamos o quotidiano em aventura, “aventura labiríntica”, em que o moderno, novo e desafiador nos provoca para a ação - uma coisa que ultimamente pouco se vê – que nos excita, exalta e entusiasma para viver a aventura e desfrutar a sensação de vitória e sucesso. Com Reis desfrutamos o presente, o momento. Vivemos as coisas boas, fugimos à dor. Por isso o fado não é uma canção triste, simplesmente é “a tristeza feita verbo”. Com a Mensagem imaginamos aquilo que, infelizmente, não fomos, mas com a esperança de um dia virmos a ser.
Portugal foi protagonista de grandes feitos e admiráveis conquistas, mas também passou por momentos menos bons. Pessoalmente, acho que nós somos um povo dotado de uma cultura riquíssima, isto porque somos um povo criativo, que gosta de viver a emoção e partilhá-la de formas diversas e únicas. Temos, assim, a literatura, o fado, a gastronomia, … Somos um povo que vive de criatividade, que sente intensamente e não descuida de o mostrar, sendo alegria, tristeza ou descontentamento.
           Receio, no entanto, que esta impulsividade emocional, a certo ponto, nos prejudique. Não controlamos bem as nossas emoções. Vivemos aqueles momentos, agimos de acordo com eles e… já está! Digo que sentimos e agimos impulsivamente sem sequer pensar no futuro, nas consequências que o ato pode trazer. E isto poderá explicar a forma como Portugal consegue repentinamente passar do tempo de prosperidade para o completo desespero e aflição. A solução seria marcar a eternidade, vivendo a aventura, procurando o sucesso, sem nunca perder a noção de moderação. Assim, a pátria sonhada poder-se-ia concretizar. A solução seria Pessoa, Caeiro, Campos e Reis…
           Mesmo assim tenho orgulho em ser de Portugal. “A pele que tenho é a pele que sou”, nasci em Portugal, vivo em Portugal e sempre serei portuguesa, com defeitos e qualidades. E, se alguém procura uma nação perfeita, procura o impossível. Devemos viver onde estamos bem, e eu estou bem em Portugal.

28 de abril de 2012

Diários de escrita, por Jorge Filipe Miranda Roriz, 10ºB

Nasci a 25 de Março de 1978 em Stuttgart, na Alemanha. Complicações durante o parto, momentos de desespero e de repente um som agudo e contínuo preencheu o bloco operatório por volta das quinze horas. Ela tinha desaparecido. Cresci com os meus dois irmãos mais velhos, Frederico e Fábio, mas as condições em que vivíamos eram miseráveis. Meu pai tinha sido preso, após uma intervenção policial, por tráfico de estupefacientes. Vivíamos sozinhos, os meus irmãos mais velhos não estudaram mas fizeram questão de me instruir com o objetivo de me tornar o alicerce da família. Fui para a escola. Fui gozado, maltratado, humilhado. Vestia-me da união de trapos velhos e não tinha calçado. Não tinha amigos com quem brincar. Nos intervalos isolava-me e escondia-me para que os rapazes de classe superior não me agredissem, e pensava, pensava no meu futuro, o que iria fazer. O tempo foi passando e em casa estávamos cada vez mais desesperados, no início da década de 90, o país entrara numa crise financeira precária. A minha vida logo se desmoronou. Não comíamos há aproximadamente cinco dias e vi-me obrigado a vaguear pelas ruas com a mão estendida a mendigar. Com algumas doações dos mais bondosos, fomos sobrevivendo até que, numa tarde, um senhor bem vestido, acompanhado de dois homens com grande porte, me arrastaram para uma carrinha e me transportaram durante horas. Quando, de repente, a carrinha parou. Abriram a porta velozmente e estava sitiado num dos mais rígidos e rigorosos orfanatos de Duisburg, a norte do país. Instalaram-me num quarto e não me mencionaram razões para ali estar. Passaram horas, dias, meses, anos, de pura solidão e árduo estudo. Comemorei o meu vigésimo aniversário, pela primeira vez com um bolo, fornecido pela Sª. Alice, a funcionária do refeitório. Não poderia continuar no orfanato e saí. Continuava sem dinheiro e o bilhete de comboio de volta a Stuttgart, era muito caro. Como fizera antes voltei a vaguear pela ruas com o intuito de conseguir o valor necessário à viagem. Conheci a Ana Kaufmann, uma rapariga simples, gentil, honesta. Mas, algo havia em comum foi então que ela me contou a sua história. Adotada por uma das famílias mais ricas daquela cidade aquando da juventude. Durante o período em que esteve no orfanato, tentara várias vezes fugir, mas não terá sido bem-sucedida. Devido à tensão e à falta de liberdade tentara também suicidar-se mas apercebeu-se no último minuto que a vida seria muito mais do que aquilo que ela havia conhecido, desistiu. O amor pela literatura levou-a a concorrer à universidade de letras do Norte. Senti naquele momento que algo muito forte nos aproximava. Contei-lhe a minha história de vida e ela melancolicamente começou a chorar. Fez questão em pagar-me a viagem de regresso. Eu aceitei, porque a saudade que sentia dos meus irmãos era superior à ética de recusar a oferta. No dia seguinte, comprei o bilhete e após uma longa viagem onde predominava o sentimento de ansiedade, cheguei a Stuttgart. Corri em direção à rua onde estava situado o casebre em que havia vivido à uma década atrás, mas o local estava degradado, e era percetível a ausência de vida humana. Procurei durante meses, os meus irmãos, mas não os encontrei. O desespero acentuou-se após um ano de intensa e exaustiva procura. Até que os encontrei em estado miserável, num beco na fronteira da cidade de Stuttgart. A casa teria sido hipotecada devido ao não pagamento das cotas mensais da água e da eletricidade. Ana voltou a ajudar-me e sem consentimento dos pais adotivos emprestou-nos um dos muitos apartamentos da família Kaufmann e algum dinheiro. Entrei na universidade de artes e terminei o curso de arquitetura com uma das mais altas médias do ano. As oportunidades de emprego foram surgindo e inúmeros prémios me foram atribuídos. A nível monetário a minha vida foi-se recompondo, ofereci uma casa a cada um dos meios irmãos e garanti estudos para os dois. Recentemente, casei com Ana e os frutos do nosso amor são a Beatriz e o Rui. Hoje, remonto a décadas passadas e resumo a minha vida obtendo como recompensa as expressões curiosas dos meus dois pequenos. Sou quem sou devido às experiências que vivi e à mulher simples com quem casei. Sou eu, Jorge Hübner e uma história de décadas, um diário de uma vida.

25 de abril de 2012

O lugar da poesia, por Pedro Manuel Simões Fernandes, 11º A

Hoje sentei-me no banco do jardim onde nós,
por feito do destino nos conhecemos,
onde nos sentávamos a impor palavras,
onde víamos o sol nascer com o cantar dos pássaros
 e pôr-se atrás do mar que se silenciava.
Mas hoje tudo isto me pareceu estranho.
O sol nasceu e os pássaros emudeceram e,
quando se pôs, as ondas do mar rebentaram.
Faltava-me completar o dia com as tuas palavras.
Todavia, tu não estavas lá empiricamente.
O teu perfume não o levava o vento,
nem a tua voz se sobrepunha aos passos na calçada.
Hoje, tu não existias naquele jardim.
Ninguém deu pela tua falta na rua
porque nunca contaram as flores dos canteiros.
Mas eu contei e hoje faltava a mais formosa.
Desapareceu o aroma do fado da praça
cantado pela singular voz de um adolescente,
que entre as notas da guitarra portuguesa dizia:
Chorem os céus com tanto brilhar, 
Hoje morreu a esperança com aquele luar. 
Poema vencedor do concurso, "Pequenos grandes poetas" 2012.

24 de abril de 2012

2ª fase do CNL


A fase distrital do concurso nacional de Leitura realizou-se hoje, na biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, com a presença de centenas de alunos de várias escolas do distrito.
Foram apurados para a fase final, a realizar em Lisboa, uma aluna da escola secundária Alcaides de Faria, pelo secundário e um aluno da escola de Real, Braga, pelo 3º ciclo.
Parabéns aos vencedores e a todos os alunos envolvidos.

Tertúlia "O Livro - Do Papiro Ao Vidro"


Na biblioteca, pontuamos… com muito gosto e ouvimos deliciados!
Hoje, 23 de abril, dia mundial do Livro, decidimos fazer uma tertúlia para comemorar. Recebemos o jornalista Alberto Serra, que nos falou da sua relação com os livros, das suas experiências de leitura, incitando-nos para um mundo diversificado, mágico, a fazer despontar de universos adormecidos para a busca do ser humano, da vida, do universo…
Ao seu lado, duas alunas do 12º A, Alice Loureiro e Ana Rita Vilas Boas, marcaram a sua presença com a leitura crítica dos livros A Fórmula De Deus de José Rodrigues dos Santos e Memorial Do Convento de José Saramago.
De forma despretensiosa, mas com rigor, partilharam as ideias, os pensamentos tecidos nas palavras.
Transportados para este mundo poderoso, afirmamos com Alberto Serra que as palavras são sementes, com elas, toco e deixo-me tocar.

Dia mundial do Livro 2012


O dia mundial do Livro foi assinalado na BE com várias atividades onde participaram professores e alunos:
  • representação da tradição catalã Dez rapazes e dez raparigas trocaram rosas por livros no pátio central da escola. Em simultâneo, era lido através da "Grafonola" (a rádio da escola) o texto explicativo desta tradição.
  • feira do livro usadoForam vendidos vários livros usados, cedidos por alunos e funcionários. Na compra de um livro, por um preço simbólico, era oferecida uma rosa.
  • exposição "O Livro Através Dos Tempos"Nesta mostra, estiveram expostos vários exemplares alusivos à evolução do livro desde a antiguidade (exemplares do século XVI) até ao eBooks.

Concurso Concelhio: Pequenos Grandes Poetas


No dia Mundial do Livro, a Escola Sec/3 de Barcelinhos participou no concurso concelhio "Pequenos grandes poetas", na Biblioteca Municipal de Barcelos.
Alunos concorrentes:  
  • Secundário
    • Pedro Manuel Simões Fernandes, 11º A
      Poema original e declamação  
  • 3º ciclo
    • Elsa Marisa Ferreira Pereira, 9º C
      Declamação 
    • Ana Filipa Carvalho Fernandes, 7º C
      Poema original. 
      Na modalidade de declamação, foi vencedor o nosso aluno:
    Pedro Manuel Simões Fernandes      


    Poema vencedor


    Hoje sentei-me no banco do jardim
  • onde nós, por feito do destino nos conhecemos,
    onde nos sentávamos a impor palavras,
    onde víamos o sol nascer com o cantar dos pássaros
    e pôr-se atrás do mar que se silenciava.
    Mas hoje tudo isto me pareceu estranho.
    O sol nasceu e os pássaros emudeceram
    e, quando se pôs, as ondas do mar rebentaram.
    Faltava-me completar o dia com as tuas palavras.
    Todavia, tu não estavas lá empiricamente.
    O teu perfume não o levava o vento,
    nem a tua voz se sobrepunha aos passos na calçada.
    Hoje, tu não existias naquele jardim.
    Ninguém deu pela tua falta na rua
    porque nunca contaram as flores dos canteiros.
    Mas eu contei e hoje faltava a mais formosa.
    Desapareceu o aroma do fado da praça
    cantado pela singular voz de um adolescente,
    que entre as notas da guitarra portuguesa dizia:
    Chorem os céus com tanto brilhar,
    Hoje morreu a esperança com aquele luar. 

20 de abril de 2012

Leitura expressiva das Cartas de Guerra


O auditório da escola esgotou a lotação com 293 alunos de 9 turmas do 10º ano que, acompanhados pelos professores, assistiram ao espetáculo do ator Alberto Quaresma com "Cartas de Guerra - D'este viver aqui neste papel descripto" do escritor Lobo Antunes.
Ao longo de uma hora os alunos ouviram, em silêncio,  a seleção de cartas do escritor, acompanhadas pela projeção videográfica, possibilitanto aos alunos o conhecimento da realidade que foi a guerra no ultramar e do sofrimento vivido por milhares de jovens a prestar serviço militar no então ultramar português.
No final do espetáculo e ao som de "Grândola Vila morena", os alunos acompanharam o ritmo com batimentos coordenados  transmitindo, desta forma, a satisfação sentida. O ator agradeceu a participação e o comportamento cívico dos alunos.
Foi mais uma importante iniciativa  levada a cabo pela BE que só foi possível graças à  colaboração e apoio  entre a nossa escola e a Biblioteca municipal,  através do pelouro da Educação e Cultura da câmara municipal de Barcelos.

17 de abril de 2012

23 de abril, dia Mundial do Livro

Leitura Expressiva das "Cartas de guerra" por Alberto Quaresma


Dia 19 de Abril, às 15h, no auditório da escola sec./3 de Barcelinhos

Cartas da Guerra - D’este viver aqui neste papel descrito de António Lobo Antunes.

O espetáculo baseia-se nas cartas que Lobo Antunes escreveu à mulher enquanto esteve destacado a combater, na guerra colonial, em Angola, sempre em zonas de intensos combates.
São as cartas de um jovem médico com uma imensa vontade de se tornar um escritor e de se afirmar na literatura. Foram escritas entre Fevereiro de 1971 e início de 1973.

Em 1979 Lobo Antunes publica o seu primeiro livro “Memória de Elefante”.
Hoje é considerado um dos melhores escritores portugueses distinguido com vários prémios nacionais e internacionais.

Interpretação e conceção do espetáculo pelo Ator Alberto Quaresma

O ator

Fez a sua formação académica em Antropologia na UNL.
Foi professor do ensino secundário oficial e técnico profissional em escolas públicas e privadas em geografia antropologia e Sociologia.
Foi diretor pedagógico da “Ordinator”.
Foi fundador da Academia Contemporânea do Espetáculo, Porto. Foi monitor em vários cursos de iniciação teatral.
Foi animador sociocultura.
Estreou-se como ator na Companhia de Teatro de Almada em 1978. Trabalhou em companhias de teatro como a Seiva Trupe e o Teatro de Noroeste. Participa regularmente em séries e telenovelas para a televisão com destaque para “Duarte e C:ª,” “A minha família é uma animação” , “Os malucos do riso”, (Globo de Ouro para a melhor série de comédia), entre outras.
Trabalhou com encenadores, como Joaquim Benite, José Martins, Bernard Sobel (Francês), Ulysses Cruz, (Brasileiro), Georgio Mattia Giogetti (Italiano), Michel Simonot (Francês).
Representou Shakspeare, Molière, Racine, Saramago, Pirandello, Genet, Tchekov, Gil vicente, Brecht, entre outros.
No cinema trabalhou com João Mário Grilo e Joaquim Leitão.

16 de abril de 2012

Diários de escrita, por Nídia, 12º B



SER Português 
 Fernando Pessoa é talvez o melhor autor para nos fazer refletir sobre a temática do ser português. Através dos seus heterónimos e do próprio ortónimo, transmitiu diversas mensagens à nação portuguesa. Mensagens, essas, que viajaram através dos anos e mantêm-se intemporais. 
A nacionalidade portuguesa é muitas vezes associada à melancolia e à tristeza que o próprio fado, como canção nacional, reproduz. O povo português não é, por norma, melancólico. O fado comum dá voz à palavra saudade, que é uma palavra exclusivamente portuguesa e galega e que tem bastante significado para o português por ser tão sua e por transmitir uma mistura de sentimentos como amor e distância. Nós possuímos uma aura que muitos desconhecem e que está retratada no fado. Por essa razão, é bastante complicado para um estrangeiro perceber a mensagem implícita na nossa canção nacional.
 Antigo dono de um vasto império e descobridor de várias terras, hoje poderosos países, o povo português, apesar de ter perdido a maior parte dessas colónias, é um povo orgulhoso. Portugal foi o pioneiro da globalização e teve grande influência em todo o mundo. Presentemente, não é bem assim. Apesar do orgulho que nos enche a alma, estamos esquecidos. Perdeu-se o sentido de globalização e as gerações modernas desconhecem o sentimento de poder. Portugal possuiu muito e muito perdeu. Nos dias de hoje a história repete-se. A crise económica que se vive não deixa margem para dúvidas de que o nosso país está prestes a bater no fundo. Podemos, no entanto, ser anedota de jornais e de programas televisivos, mas o nosso queixo continua levantado.
 Em conclusão, ser português é mais do que ter uma nacionalidade no bilhete de identidade, é um modo de vida, um estado de espírito. Citando Fernando Pessoa “o português é capaz de tudo, logo que não lhe exijam que o seja. Somos um grande povo de heróis adiados”. 

11 de abril de 2012

O Lugar da Poesia, por Joana Trigueiros Reis, ex-aluna da escola

Na imagem: "A poesia está na rua", por M.Helena Vieira da Silva
poesia.
Não me perguntes o que é a poesia: eu não sei nomear o que me vem do lado de dentro.
Se tudo na vida é poesia, pergunta-me antes o que na vida não é.
Há em mim um amor pela cadência musical dos afectos, que é poesia.
Há em mim um amor pela angústia metafísica das coisas, que é poesia.
E um desamor por tudo o que não lateja
não vibra
não emociona
não rompe
não quebra
não cai.
A poesia e a ausência dela:
medidas exactas do meu amor e desamor pelas coisas.
Prenúncios precisos da minha crença nas horas
que ficaram por vir.
Poesia minha que me devolve em cor os dias baços
E me serena mais
Que uma religião qualquer.
Seria preciso que me fosses
Estranha,
Externa,
Estéril,
Para conseguir enunciar-te.
Mas tu és o verso mais universal
Do meu universo
E vens-me de dentro
Como um suspiro.
E eu só sei reconhecer-te
Quando me faltas.

10 de abril de 2012

O Lugar da Poesia, por Daniela Alves, 10º A


Asas de andorinha, LIBERDADE!
Fui adormecendo lentamente
à medida que a noite caía.
Fui acordando suavemente
para um sonho repleto de magia.  

Senti correr-me nas veias
aquela sensação de liberdade.
Uma sensação que ainda hoje
permanece incompleta na realidade!

Por isso, limitei-me a usar a imaginação,
perdendo-me no pensamento e
voando pelo firmamento.

Sim, ganhei asas…
Asas de andorinha,
asas que por uma noite
me deixaram ser rainha!

Envolvida num mar de sensações
nem conseguia explicar,
que liberdade era aquela
que me invadia sem perguntar.

Porque liberdade
não é mais que voar sem destino,
escolher um caminho,
tomar  uma responsabilidade,
agir com verdade!

E o que seriamos nós sem Liberdade?
Seriamos…
…pássaros sem asas;
…crianças incapazes de sonhar;
…peixes sem barbatanas;
…seres incapazes de pensar!

E afinal,
O que fica de pé quando a liberdade cair?
                                                

Pensamento do mês de abril


O Lugar da Poesia, por Cláudia Costa, 12º A



Lágrimas

Pesam nos meus olhos
As lágrimas da tristeza que sinto.
São transparentes, ninguém as vê.
Mas acreditem que eu não minto.

São lágrimas
Aquelas que certo poeta
Verificou serem iguais
Seja qual for o lado da moeda.

São de dor e saudade
Por alguém que partiu.
São lágrimas da realidade
Que eu e tu partilhamos.

Será justo esperarmos
Por alguém que nos ajude
Que nos limpe o que choramos
Pela realidade trágica do Mundo?

O Lugar da Poesia, por Pedro Manuel Simões Fernandes, 11º A

Hoje sentei-me no banco do jardim
onde nós, por feito do destino, nos conhecemos,
onde nos sentávamos a impor palavras,
onde víamos o sol nascer com o cantar dos pássaros
e pôr-se atrás do mar que se silenciava.
Mas hoje tudo isto me pareceu estranho.
O sol nasceu e os pássaros emudeceram
e, quando se pôs, as ondas do mar rebentaram.
Faltava-me completar o dia com as tuas palavras.
Todavia, tu não estavas lá empiricamente.
O teu perfume não o levava o vento,
nem a tua voz se sobrepunha aos passos na calçada.
Hoje, tu não existias naquele jardim.
Ninguém deu pela tua falta na rua
porque nunca contaram as flores dos canteiros.
Mas eu contei e hoje faltava a mais formosa.
Desapareceu o aroma do fado da praça
cantado pela singular voz de um adolescente,
que entre as notas da guitarra portuguesa dizia:
Chorem os céus com tanto brilhar,
Hoje morreu a esperança com aquele luar.

Pensamento do mês - setembro