A literatura no geral pode dizer
mais do que se espera, ela consegue ser conforto para quem se sente triste ou
encorajamento para quem se sente incapaz. Quantas e quantas vezes nos rimos a
ler um livro, choramos a ler um livro, nos revoltamos a ler um livro? Se a
literatura é capaz de provocar emoções reais nas pessoas, também consegue ser
decisiva nas nossas vidas ao provocar essas emoções. Pode ser uma conselheira
ou uma amiga, que nos mostra o correto e o errado, que nos ajuda a entender que
por vezes os nossos pontos de vista têm de ser mudados porque não são os mais
corretos, ou até reforçar que aquilo que nós somos e pensamos está certo e que
não devemos mudar, pelo contrário, devemos lutar e mostrar verdadeiramente quem
somos.
Uma criança, graças à literatura,
é capaz de sonhar. Porquê? Porque a literatura sabe ser um mundo próprio para cada
criança. Sabe ser um mundo de fantasia em que existe a bruxa, a princesa, o príncipe,
a magia e o amor, que, mesmo depois de uma leitura, ou depois de ouvirmos um
conto, continuemos a sonhar.
Mas,
para além da fantasia, também sabe dar esperança e força para continuarmos a
acreditar nos nossos projetos e nos nossos desejos. A literatura comunica
através da palavra, e, apesar do que pensamos, a palavra está sempre do nosso
lado. Quer seja num livro que lemos, numa crónica que sai no jornal, numa
reportagem cuja história nos marcou, ou numa música cuja letra é absolutamente
divinal e nos consegue pôr a chorar.
Por isso, a literatura é
efetivamente um “organizador fundamental” que nos ajuda a pensar sobre as
nossas ideias, os nossos valores, ou até mesmo a reavaliar aquilo que somos. Ajuda-nos
a fugir da realidade, fantasiando, sonhando, voando, mas sempre com os pés bem
assentes na terra.

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