



Amanhã, pelas 6 horas da manhã, rumaremos a Lisboa para participar nas Finais do Concurso nacional de leitura, promovido no âmbito do Plano Nacional de Leitura. http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/
Vencedoras:
3º ciclo : Adriana Simões, nº1, 9º A
Secundário: Marta Carvalho, nº 25, 11º F Ana Isabel Lopes, nº 3, 11º F

"Encontro com..." Fernando Pinheiro
"Dia Mundial do Livro" por Sofia Carvalho em http://clp-esb.blogspot.com/



Chegou ao jornalismo já tarde, mas a paixão não mais o abandonou. Alberto Serra, 50 anos, confessa-se um contador de histórias. Histórias de gente anónima, sem descurar os consagrados. Histórias que já foram à antena na TSF, na SIC e na RTP. Tudo começou em pleno período revolucionário, em Barcelos, num jornal regional.
Foi, nas suas próprias palavras, um “andarilho”. Andarilho pelo País e pelos ofícios. Denominador comum a arte. Regressado de Moçambique em Julho de 75, uma semana após a independência, devido à morte trágica do pai, Alberto Serra foi para Barcelos, onde terminou o curso de mecânico, iniciado em África "sem quase saber mudar uma roda". Estava escrito que a vida não passaria pelas oficinas. Depressa trocou as ferramentas pelas leituras de Reich, Marx ou Vergílio Ferreira.
Foi em Barcelos que "a pica pela escrita começou". Com Rogério Gomes e Sérgio Andrade, fundou o Barcelos Popular, onde percebeu que o jornalismo "não vale nada, não dá muito dinheiro, mas a gente morre por uma história". "Ainda hoje é o que me salva", confessa. Pelo meio, intrometeu-se a poesia e outro ofício, o de animador cultural. Primeiro na Capoeira, em Barcelos, uma noite por semana, as palavras dominavam a noite e os recitais de poesia passaram a integrar a escassa agenda cultural da cidade. Depois, já em Santarém, "andava a vender calças de ganga quando alguém me desafiou a ir para o centro cultural". Uma experiência que duraria uma década.
Carregava pianos, fazia teatro e também o boletim Café com Letras. Daqui para o jornal O Ribatejo foi um passo. "Aprendi que não há jornais nacionais e regionais. Há bom e mau jornalismo.".
Regressa mais tarde ao Norte com a família. Ingressou na Antena Minho, mas por pouco tempo. Estávamos no final da década de 80 e a Nova dava os primeiros passos. Na rádio de Belmiro de Azevedo estavam João Paulo Meneses, José Alberto Carvalho, Carlos Rico, Juca Magalhães .... Alberto Serra junta-se ao grupo até ao dia em que Rangel o convida para uma das melhores experiências do percurso jornalístico, o turno da manhã na TSF, a partir do Porto, com Elisabete Caramelo.Corria a década de 90 e surgem as televisões privadas. Com experiência de colaborações com a RTP, Alberto Serra integra a redacção da SIC. E o bichinho da televisão não o larga, até hoje, onde, na redacção do Porto da RTP, tenta transportar a poesia para as notícias.
"Os factos apenas dão das pessoas o exterior, para lhes captar a alma é preciso a literatura e a poesia." Após um longo percurso pelas redacções, Alberto Serra reconhece que "apenas na RTP é possível fazer aquilo que faço". Histórias de gente anónima que de Trás-os-Montes ao Algarve representam a identidade de um país.
A faceta de jornalista anda a par com a de Poeta. Publicou, em 2006, o seu primeiro livro O Aparo do Demónio e é um dos grandes impulsionadores do Clube de Poesia da ACIB de Barcelos.